O fato de ser apaixonado pela obra de Eiji Yoshikawa faz com que meus elogios sejam "suspeitos". Mas é impossível citar Musashi e poupar elogios. Quem ainda não conhece a obra, fica aqui o convite.
Musashi
DUAS ESPADAS E UM CAMINHO
Quando se fala em Miyamoto Musashi, a primeira imagem que nos surge é a do herói da trilogia cinematográfica produzida pela antiga Toei, do diretor Hiroshi Inagaki, na década de 50.
Personagem popular, Musashi tinha sido anteriormente a obra escrita por Eiji Yoshikawa, em forma de folhetim e divulgada nas páginas do jornal Asahi Shinbun entre 1935 e 1939, totalizando 1.013 capítulos. A edição em português de Musashi é brasileira e recente: dezembro de 1999. Bem antes da publicação em português, Musashi teve versões em outras línguas, como o inglês e o francês. Por parte dos leitores brasileiros, Musashi tornou-se conhecido graças ao cinema e depois, através da leitura do romance nas traduções estrangeiras. Talvez seja Musashi um dos últimos heróis modernos que ainda nos emociona, capaz de arrancar uma lágrima do canto do olho e de envolvermo-nos na sua vida arrojada e sagaz.
O Musashi narrado no romance de Yoshikawa foi inspirado em personagem real, que tinha por nome Shinmen Musashi No Kami Fujiwara No Genshin.
Para se manter, Musashi ensinava esgrima, fazia esculturas budistas, pinturas e caligrafias em papel de arroz. Sabia que Kojiro Sasaki iria medir forças com ele. Se Kojiro mostrava-se tecnicamente superior a Musashi, este possuía outras habilidades, como planejamento para uma estratégia de combate.
Na derradeira batalha final, em 1612, Musashi saiu vencedor ao golpear com longo remo a cabeça de Kojiro. Ninguém conseguia escapar do golpe de Kojiro, chamado vôo da andorinha.
Entretanto, para escapar da lâmina certeira, Musashi saltou e de cima acertou o adversário. Tudo tinha sido planejado por Musashi: protegeu seu corpo com um cobertor, enquanto o outro esperou sem nenhuma proteção; chegou atrasado para irritar o outro; quando chegou na praia em que o duelo iria se dar, ficou de costas para o mar, pisando na areia endurecida pela água, ao contrário do outro que teve que correr na areia fofa, causando desgaste físico; o sol da manha ficava nas costas de Musashi e de frente a Kojiro, cegando seus olhos. Ao ver Musashi se aproximando-se com um remo nas mãos, Kojiro teria desembainhado sua espada e atirado na areia a bainha. Foi quando Musashi advertiu:
“Kojiro, você acaba de perder esta luta”. Quem abandona a bainha, segundo pensava Musashi, não a usará para guardar novamente a espada. E Kojiro não teve mais motivos para guarda-la!
Autor: Francisco Handa - Doutor em História Social pela UNESP e monge da escola Soto Zenshu.
FONTE: www.culturajaponesa.com.br